O que é
GEO é a sigla de Generative Engine Optimization. O termo ganhou nome e método de teste num artigo acadêmico apresentado na conferência KDD em 2024, assinado por pesquisadores de Princeton e de outras instituições. A ideia central é que a IA monta a resposta a partir de várias fontes, e a marca precisa estar entre elas.
Para o comprador, a mudança é fácil de descrever: em vez de abrir dez links, ele pergunta à IA quem resolve o problema dele e lê uma resposta com poucos nomes. Quem não aparece ali fica fora dessa primeira lista de opções. Por isso o GEO observa a resposta, não a posição numa lista de resultados.
A posição oficial do Google é direta: otimizar para a IA da busca continua sendo SEO. Não existe arquivo, marcação ou schema especial para aparecer, e o llms.txt não é usado pela busca do Google. Na prática, GEO é SEO bem feito somado a conteúdo citável, presença fora do site e medição das respostas. Citação não é algo que alguém consiga prometer.
Quando o comprador pergunta à IA quem resolve o problema dele, aparece a nossa marca ou a do concorrente. GEO mede essa resposta e trabalha para mudar o resultado.
Como funciona
Os recursos de IA do Google (AI Overviews e Modo IA) escolhem as fontes no mesmo índice da busca. Página fora do índice, ou sem permissão para exibir trecho, não vira fonte. Os outros assistentes têm regras e fontes próprias, e a resposta de cada um muda de uma rodada para outra e de uma pessoa para outra.
O trabalho se divide em quatro frentes:
- Acesso. A IA precisa conseguir ler o site: páginas indexadas, robots.txt liberando os robôs de busca das IAs, conteúdo importante fora de PDF e de JavaScript, dados da empresa iguais em todos os perfis. Robôs de treinamento e robôs de busca são coisas diferentes, e um bloqueio geral pode tirar justamente os que buscam fontes para citar.
- Conteúdo. Páginas que respondem direto à pergunta do comprador, com número próprio e autor identificado. No estudo que criou o termo, acrescentar estatísticas, citações de fontes e falas de especialistas aumentou a visibilidade em até 40%, e repetir palavra-chave não funcionou.
- Presença fora do site. Imprensa, associações, diretórios e listas que as IAs usam como fonte.
- Medição. Um conjunto fixo de perguntas de decisão de compra, rodado mais de uma vez em cada IA, com data e região anotadas e sem login. O resultado é a mention rate da marca e dos concorrentes.
Há ainda a idade do conteúdo. Assistentes de IA citam páginas mais novas que a busca tradicional, com 1.064 dias de idade em média contra 1.432 nos resultados orgânicos, segundo um levantamento da Ahrefs de 2025. Isso pede revisar o conteúdo de verdade, não trocar a data do post.
Exemplos
Avaliar a proposta de uma agência
A proposta oferece “colocar a marca no ChatGPT” com prazo e posição prometidos. Peça a lista de perguntas que serão medidas, as IAs consultadas, o número de rodadas e a data de cada coleta. Peça também o que a agência não consegue controlar. Quem não responde essa última pergunta está vendendo promessa.
Conversar com a TI
A TI ativou um bloqueio geral de robôs de IA no servidor para proteger o site. Antes de desfazer tudo, separe os robôs de treinamento dos robôs de busca em tempo real e libere os segundos. A proteção continua, e a marca pode ser lida pelas ferramentas que buscam fontes.
Responder à pergunta da diretoria
Alguém da diretoria perguntou ao ChatGPT ou ao Gemini quais empresas atendem o setor, e a sua não apareceu. Um print de uma pergunta é só uma rodada. Meça com várias perguntas, em várias rodadas, antes de decidir qualquer coisa.
Fazer a primeira medição
Antes de mudar o site ou o conteúdo, rode o conjunto de perguntas e registre a mention rate da marca e dos concorrentes. Sem esse ponto de partida, nenhuma melhoria feita depois pode ser comprovada.
Erros comuns
- Aceitar a promessa de aparecer no ChatGPT ou no Gemini com prazo ou posição. O Google não exige nada além de SEO e ninguém controla a resposta da IA.
- Pagar por llms.txt ou por “schema para IA” como entrega principal. O Google diz que a busca não usa o primeiro e que o segundo não existe.
- Medir com uma pergunta, uma rodada ou sem registrar data, IA e região. O print de uma resposta é só o retrato daquele momento.
- Usar a posição numa lista de marcas como métrica principal. Os autores de um estudo da SparkToro consideram essa medida pouco confiável e recomendam contar a frequência de aparição.
- Deixar o robots.txt ou o firewall bloqueando os robôs de busca das IAs sem uma decisão consciente.
- Trocar a data de um post para parecer recente sem mudar o conteúdo.
Perguntas frequentes
Pesquisei a minha categoria no Gemini e a empresa não apareceu. Por quê?
As causas mais comuns são três: o site não deixa claro o que a empresa faz e para quem, poucas fontes de fora citam a marca, ou existe um número público que favorece outra empresa naquela pergunta. Antes de corrigir, meça com várias perguntas, não com uma só.
O SEO que já temos serve para aparecer nas respostas de IA?
Serve como base, porque a IA do Google escolhe fontes no índice da busca. O conteúdo precisa, porém, responder às perguntas que o comprador faz. Texto pensado só para palavra-chave de volume costuma ficar de fora das respostas.
Qual a diferença entre GEO, AEO e geomarketing?
Muita gente usa AEO como sinônimo de GEO, porque os dois falam de ser a resposta e não só mais um link. Geomarketing é outra coisa: uso de localização para segmentar campanhas e escolher pontos de venda.
O app Gemini e a busca do Google dão a mesma resposta?
Não. São produtos diferentes, com fontes e respostas diferentes. Uma marca pode aparecer no Modo IA da busca e não aparecer no Gemini.
O que perguntar à agência sobre GEO?
Quais perguntas serão medidas, em quais IAs, quantas vezes cada uma e com que data e região. Qual é a mention rate da marca hoje, antes de qualquer trabalho, e a dos principais concorrentes. O que muda no site, no conteúdo e fora do site, em que ordem, e o que a agência não consegue prometer.
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Fontes
- GEO: Generative Engine Optimization. Aggarwal et al., KDD, 2024.
- Optimizing your website for generative AI features on Google Search. Google Search Central, 2026.
- AI features and your website. Google Search Central, 2025.
- Busca do Google: agora o Brasil já pode usar o Modo IA em português. Google Brasil, 2025.
GBEscrito por Guilherme Boni, CEO e fundador da Fresh Lab. Revisado por Marcela Mazetto em . Como fazemos o glossário