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Como saber se eu tenho um site bom?

Marcela Mazetto Escrito por Marcela Mazetto
  • Publicado 20 de fev, 2017
  • Atualizado 29 de jun, 2026
  • 14 min de leitura
Site bom

A maioria das empresas avalia o próprio site como avalia o próprio filho: com afeto e sem critério. “É bonito, foi caro, carrega rápido.” Isso não é avaliação. É autoengano.

Como saber se eu tenho um site bom não é uma pergunta de estética. É uma pergunta de negócio. A resposta não mora no design aprovado pelo dono nem na fotografia de produto que o diretor adorou. Mora nos dados: velocidade, conversão, rastreamento, indexação e, no fim, na pergunta mais honesta que existe: o site está trazendo receita ou só gerando custo de hospedagem?

Este checklist cobre os 8 critérios que a Fresh Lab usa para auditar sites de clientes B2B. Aplique agora e descubra onde está o problema antes de ele aparecer na linha do resultado.

O critério que define tudo antes de qualquer análise técnica

Antes de entrar no checklist, responda uma pergunta simples: quantos leads qualificados ou vendas o seu site gerou nos últimos 30 dias?

Se a resposta for “não sei”, você não tem estratégia digital. Tem uma página na internet.

Se a resposta for “zero”, o diagnóstico já começou. Os 8 critérios abaixo vão revelar por quê.

Um site bom não é o que o designer aprova. É o que o comprador usa para te encontrar, entender e contatar. Cada critério neste checklist serve a esse único objetivo.

Os 8 critérios de um site bom em 2026

1. Velocidade e Core Web Vitals: o filtro que afasta visitante antes de mostrar qualquer coisa

O Google mede a saúde de performance de qualquer site pelos Core Web Vitals: três métricas que avaliam carregamento, capacidade de resposta e estabilidade visual.

Métrica O que mede Bom Atenção Ruim
LCP Tempo do maior elemento visível carregar ≤ 2,5s 2,5 a 4s > 4s
INP Resposta ao clique ou toque do usuário ≤ 200ms 200 a 500ms > 500ms
CLS Estabilidade visual (elementos que “pulam”) ≤ 0,1 0,1 a 0,25 > 0,25

Sites lentos não ficam apenas mal posicionados no Google. Eles perdem visitante na porta. Segundo o Think with Google, páginas que demoram mais de 3 segundos para carregar no mobile perdem 53% dos visitantes antes de mostrar qualquer conteúdo. Mais da metade vai embora sem ver nada.

Como testar agora: acesse o Google PageSpeed Insights, cole a URL da homepage e de pelo menos uma página de serviço. Veja os Core Web Vitals separados para mobile e desktop. O resultado mobile é o que o Google prioriza.

2. Responsividade mobile-first: não basta aparecer no celular

Responsividade não é só o site aparecer no smartphone. É o site funcionar bem nele: fontes legíveis sem zoom, botões clicáveis com o polegar, formulários que não somem quando o teclado virtual abre.

No Brasil, mais de 60% do tráfego web em 2025 partiu de dispositivos móveis, segundo dados da Statista. Se o seu site foi projetado prioritariamente para desktop, você está atendendo 40% do público com excelência e negligenciando 60%.

A verificação mais rápida que existe: abra o site no celular agora, role a página, clique nos botões e tente preencher um formulário. Se precisar dar zoom em qualquer momento, está ruim.

Vale entender a diferença: site responsivo significa que o layout se adapta ao tamanho da tela. Site mobile-first significa que o projeto começou pelo celular, com a versão desktop sendo uma expansão do design original. Desde 2023 o Google usa Mobile-First Indexing: a versão mobile é a referência para indexação e posicionamento. Um site responsivo desenhado para desktop pode passar no teste técnico e ainda frustrar o usuário no celular.

3. Segurança, HTTPS e conformidade com a LGPD

Qualquer site sem certificado SSL (o “https://” na URL e o cadeado no navegador) é sinalizado como “Não seguro” pelo Chrome para todos os visitantes. Em 2026, isso não é diferencial de segurança. É o mínimo básico de credibilidade.

Para sites com formulários de captação, a responsabilidade vai além do SSL. A LGPD exige política de privacidade acessível, declaração de uso dos dados coletados e opção de descadastro mediante solicitação.

Formulário de contato sem política de privacidade é passivo jurídico esperando se materializar.

4. Conteúdo que responde o que o comprador está perguntando

Conteúdo raso é a razão mais comum para um site não ser indexado pelo Google. E “raso” não significa texto com erros ortográficos. Significa: não responde o que o comprador está pesquisando antes de comprar.

No Google Search Console, você vê exatamente quais queries levam visitantes ao site. Se as queries não casam com o que você vende, o conteúdo está desalinhado com a intenção de busca. Isso é mais frequente do que parece: artigos escritos para impressionar o cliente atual em vez de responder a dúvida do cliente que ainda não te conhece.

Critérios de conteúdo que o Google considera bom:

  • Publicado com regularidade: no mínimo 1 a 2 artigos por mês para um blog B2B ativo.
  • Cobre as perguntas reais do comprador na fase de pesquisa, não só os serviços da empresa.
  • Atualizado com dados e contexto de mercado recentes. Artigo de 2017 sem revisão compete, em 2026, com IA que produz o mesmo texto em 3 segundos. Ele vai perder.
  • Tem autoria clara, experiência demonstrada e fontes verificáveis: os sinais de E-E-A-T que o Google avalia antes de decidir se o conteúdo merece posição de destaque.

5. Rastreamento com GA4 e Google Search Console

Um site sem Google Analytics 4 instalado e configurado é um carro sem painel: você até anda, mas não sabe a que velocidade, com quanto de combustível e se o motor está aquecendo demais.

O GA4 é gratuito. Não ter instalado não é questão de custo. É negligência operacional.

O que precisa estar rastreado no GA4:

  • Sessões por canal: orgânico, pago, direto, social, referência.
  • Páginas com maior e menor engajamento.
  • Eventos de conversão: formulário enviado, clique no WhatsApp, download de material.
  • Funil de entrada do lead: de qual canal veio, por qual página entrou, em qual ponto converteu.

O Google Search Console, usado em paralelo ao GA4, mostra como o site aparece nas buscas: quais keywords geram impressões, quais páginas estão indexadas e quais têm erros técnicos pendentes. As duas ferramentas juntas cobrem 80% do diagnóstico de performance digital.

Entenda como as principais variáveis de rankeamento no Google se conectam diretamente ao que GA4 e GSC medem para ter o quadro completo.

6. SEO técnico: o que o Googlebot precisa ver para indexar

SEO técnico não é mágica. É uma lista de condições básicas que permitem ao Googlebot rastrear, entender e indexar o site. Se uma dessas condições falhar, nenhuma quantidade de conteúdo ou backlink resolve.

Checklist de SEO técnico mínimo:

  • Sitemap.xml presente e enviado ao Google Search Console.
  • Robots.txt sem bloquear páginas importantes para indexação.
  • URLs limpas, sem parâmetros desnecessários e sem duplicatas com variações de www.
  • Meta title e meta description únicos para cada página.
  • H1 único por página, com a palavra-chave principal de forma natural.
  • Atributo alt preenchido em todas as imagens com descrição do conteúdo.
  • Links internos conectando páginas relacionadas entre si.

Sites construídos entre 2014 e 2018 e nunca auditados tecnicamente têm, na média, ao menos 3 desses pontos com falha silenciosa. Entenda como os Core Web Vitals se conectam ao SEO técnico para ter o quadro completo da relação entre performance e posicionamento.

7. Usabilidade e experiência do usuário: o visitante encontra o que veio buscar?

UX ruim se manifesta de formas previsíveis: taxa de engajamento abaixo de 50% nas sessões, tempo médio de sessão abaixo de 30 segundos, usuário que entra e sai sem clicar em nada.

Esses dados estão disponíveis no GA4 agora. Você só precisa olhar para eles.

Indicadores de UX ruim que aparecem no GA4:

  • Taxa de engajamento abaixo de 40% nas páginas de serviço.
  • Profundidade de rolagem baixa em páginas longas de conteúdo.
  • Zero cliques nos botões de contato ou orçamento.
  • Taxa de saída alta nas páginas que deveriam converter.

A lógica é direta: se o visitante não encontra o que veio buscar em poucos segundos, ele vai embora. Ele não lê mais, não explora mais, não preenche formulário. Ele some e provavelmente vai para o concorrente que tinha o caminho mais claro.

Um site com boa usabilidade antecipa o comportamento do visitante: menu claro, hierarquia de informação óbvia, call-to-action posicionado onde o olhar naturalmente vai. Criatividade visual que prejudica a função é prejuízo disfarçado de estética.

8. Conversão: o site está fechando negócio?

Aqui está o critério raiz. Todos os outros existem para sustentar este.

Conversão é qualquer ação que aproxima o visitante de se tornar cliente: formulário de orçamento preenchido, clique no WhatsApp, ligação gerada, download de material rico, inscrição em newsletter, compra no e-commerce.

Se o seu site não tem nenhum ponto de conversão configurado e rastreado no GA4, você não tem site de negócio. Tem brochura digital com custo mensal de hospedagem.

Taxas de conversão saudáveis para sites B2B ficam entre 1% e 3% das sessões orgânicas. Se você tem 1.000 visitas por mês e zero leads, o problema é estrutural: ausência de CTA claro, proposta de valor confusa ou tráfego chegando pelas queries erradas. Nenhum desses problemas se resolve com um redesign de homepage sem diagnóstico prévio.

Como testar o seu site agora: as ferramentas certas

Não é preciso contratar ninguém para a primeira auditoria. As ferramentas abaixo cobrem os oito critérios sem custo:

Critério Ferramenta Custo
Velocidade e Core Web Vitals Google PageSpeed Insights Gratuito
Responsividade Google Mobile-Friendly Test Gratuito
SEO técnico e indexação Google Search Console Gratuito
Tráfego e comportamento Google Analytics 4 Gratuito
Rastreamento de conversão GA4 com eventos configurados Gratuito
Auditoria técnica profunda Semrush ou Ahrefs Pago
Certificado SSL SSL Labs (ssllabs.com/ssltest/) Gratuito

Use o Google Search Console como ponto de partida: vá em “Cobertura de indexação” e veja quantas páginas estão indexadas versus rastreadas mas não indexadas. Se a proporção de não indexadas for alta, o problema é técnico ou de qualidade de conteúdo, e não de popularidade do site.

Red flags: sinais de que o site está falhando em silêncio

Esses sintomas aparecem antes de você perceber que algo está errado. Se algum deles descreve a sua realidade, o diagnóstico está feito:

  • Zero leads orgânicos por mês com tráfego acima de 300 visitas mensais. Problema de conversão ou proposta de valor.
  • Taxa de engajamento abaixo de 40% nas páginas de serviço. Problema de intenção ou usabilidade.
  • Tempo médio de sessão abaixo de 20 segundos. Problema de relevância de conteúdo ou velocidade.
  • Nenhuma página indexada nova nos últimos 12 meses. Problema de conteúdo ou rastreamento.
  • Core Web Vitals com nota “Ruim” no mobile. Penalização direta de Google em posicionamento orgânico.
  • O gestor do site não sabe quantas visitas recebe por mês. Problema de rastreamento que invalida qualquer decisão baseada em dado.

Dois ou mais desses itens combinados significam que o site está ativamente prejudicando o negócio, não apenas deixando de ajudar.

Se a velocidade for o gargalo identificado, veja como otimizar a velocidade do site para melhorar a experiência do usuário.

Reformular ou otimizar? A decisão que a maioria erra

Toda vez que surge um problema de site, a resposta instintiva do mercado é “refaz do zero”. Às vezes faz sentido. Na maioria das vezes, é desperdício de dinheiro e de histórico de autoridade acumulada.

Situação Decisão recomendada
Site com mais de 5 anos, sem mobile-first, tecnologia defasada Reformular
Site novo com conteúdo raso e sem SEO configurado Otimizar conteúdo e estrutura
Site com bom tráfego mas conversão baixa Otimizar UX e CTAs, não reformular
Site com Core Web Vitals críticos Avaliar: correção técnica pontual pode resolver
Site sem GA4 ou GSC configurado Configurar ferramentas primeiro, depois decidir
Design defasado que compromete credibilidade visualmente Reformular com Growth-Driven Design

A regra de ouro: nunca reformule antes de ter dados. Um site sem GA4 configurado não tem diagnóstico. Reformular baseado em “achei que ficou desatualizado” é trocar um problema por outro sem entender o que causou o primeiro. Quando os dados confirmam que chegou a hora, vale o passo a passo de como reformular seu site sem perder o que já funciona.

Perguntas Frequentes

Como saber se meu site está indexado pelo Google?
Acesse o Google Search Console e verifique o relatório “Cobertura de indexação”. Para uma confirmação rápida, pesquise site:seudominio.com.br diretamente no Google. O número de resultados retornados indica quantas páginas estão no índice. Páginas fora do índice não aparecem em nenhuma busca orgânica, independentemente da qualidade do conteúdo ou dos backlinks apontando para elas.

Qual é uma boa taxa de conversão para site B2B?
Taxas entre 1% e 3% de conversão sobre sessões orgânicas são consideradas saudáveis para sites B2B que geram leads. Abaixo de 0,5% indica problema estrutural: ausência de CTA claro, proposta de valor fraca ou tráfego desqualificado chegando pelas queries erradas. Acima de 5% é resultado de otimização contínua de UX com dados reais de comportamento de visitante.

Meu site é bonito mas não gera leads. O que está errado?
Design não vende sozinho. O problema mais comum nesse cenário é a ausência de proposta de valor clara nas primeiras telas, falta de CTA acessível nos momentos certos da navegação e conteúdo que não responde as dúvidas do comprador na fase de consideração. Analise o fluxo de usuário no GA4 para identificar onde as pessoas saem e otimize essas páginas antes de qualquer decisão de redesign.

Com que frequência devo auditar o site?
Uma auditoria técnica básica (Core Web Vitals, cobertura de indexação, rastreamento de conversão) deve ser feita a cada trimestre. Uma auditoria completa de conteúdo e UX, a cada 6 meses. Sites que passam mais de 12 meses sem nenhuma revisão tendem a acumular problemas técnicos silenciosos que só aparecem quando o tráfego já caiu de forma perceptível.

Site responsivo e site mobile-first são a mesma coisa?
Não. Site responsivo significa que o layout se adapta a diferentes tamanhos de tela. Mobile-first significa que o projeto foi desenvolvido prioritariamente para o celular, com a versão desktop sendo uma expansão do design original. Desde 2023, o Google usa Mobile-First Indexing: a versão mobile é a referência para indexação e rankeamento. Um site responsivo projetado para desktop pode passar no teste técnico e ainda gerar problemas sérios de usabilidade no celular.


Empresa que não sabe responder “quantos leads o site gerou esse mês” não tem estratégia digital. Tem despesa.

O checklist acima não é lista de desejos. É o mínimo funcional para um site que se justifica no balanço. E o diagnóstico não exige consultoria cara: as ferramentas gratuitas do Google entregam 80% do que você precisa saber para começar a corrigir.

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Autor

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Marcela Mazetto
Marcela Mazetto é jornalista e pós-graduada em marketing digital, atuando como analista de SEO e redatora na Fresh Lab, agência de marketing digital de Curitiba. Escreve sobre SEO, GEO, marketing de conteúdo e estratégias de aquisição para empresas B2B, traduzindo o que a agência testa na prática com sua carteira de clientes em conteúdo acionável. É a principal autora do blog da Fresh Lab, com centenas de artigos publicados sobre marketing digital orientado a resultados.
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