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Microsoft Ads para B2B: a lista de contas do comercial virou lance na busca

Guilherme Boni Escrito por Guilherme Boni
  • Publicado 7 de out, 2026
  • 11 min de leitura
Microsoft Ads Lance

Toda empresa B2B tem uma planilha que o marketing nunca abriu. Mora no computador do diretor comercial, tem umas 300 linhas e um nome como “contas-alvo 2026”.

Serve para o SDR saber para quem ligar. Na mídia, quando muito, vira público no LinkedIn Ads, onde cada clique custa caro.

Na busca paga, onde o comprador escreve com as próprias palavras o problema que quer resolver, essa lista quase nunca entra. E poderia. O Microsoft Ads para B2B tem um recurso que transforma a planilha do comercial em lance de busca, e pouca gente reparou.

Este texto explica o que mudou em 30 de setembro de 2026, como o recurso funciona de verdade (ele não faz o que parece), onde ele vai além do Google e o passo a passo para testar com verba pequena.

A lista mais valiosa da empresa nunca disputou um leilão de busca

O Microsoft Ads é a única plataforma de anúncios, além do próprio LinkedIn, que usa dados do perfil do LinkedIn para segmentar: empresa, setor, função e, desde junho de 2026, senioridade. Nas campanhas de busca do Bing, esses dados funcionam como ajuste de lance. Você paga mais quando quem pesquisa trabalha numa empresa da sua lista.

O que mudou em 30 de setembro

A Microsoft subiu de 1.000 para 10.000 o número de empresas por lista na segmentação por perfil do LinkedIn, que vale para campanhas de busca e de audiência. No mesmo anúncio, ligou o Microsoft Ads ao HubSpot: os contatos do CRM viram público, o lead novo dispara o próximo passo e o clique é ligado a negócios, para medir pipeline e receita.

Com 10 mil, cabe um setor inteiro numa região, e não só as 300 contas da planilha.

O que já existia e quase ninguém usou

O recurso não nasceu agora. Em junho de 2026, quando ganhou o filtro de senioridade em 10 níveis, do estagiário ao C-level, o Brasil já aparecia entre os mercados atendidos, ao lado de Argentina, Chile, Colômbia e México.

Mesmo assim, nos guias em português sobre Bing Ads que encontramos, o assunto é local, idioma e aparelho. Do filtro por empresa, ninguém fala. É o tipo de silêncio que costuma valer dinheiro para quem chega primeiro.

Como funciona: o lance muda, o público não

A segmentação por empresa no Microsoft Ads não restringe quem vê o anúncio. A documentação da Microsoft é explícita: ela funciona como ajuste de lance, de -90% a +900% sobre o lance básico. Quem está fora da lista continua vendo o anúncio pelo preço normal. Quem trabalha numa empresa da lista pode valer até dez vezes mais.

Esse detalhe muda a leitura do recurso. Na prática, ele funciona como uma régua de preço: você decide quanto vale aparecer bem para cada empresa da lista, e deixa o resto do mundo no lance de sempre.

Os ajustes se multiplicam

Quando a pessoa se encaixa em mais de um critério, os ajustes se multiplicam. Empresa da lista com +200% e função Compras com +100% dão três vezes dois: um lance seis vezes maior que o básico, só para o comprador da conta que o seu comercial quer.

Num exemplo hipotético, com lance básico de R$ 2,00 para o termo “ERP industrial”:

Quem pesquisa Ajuste aplicado Lance
Pessoa que a Microsoft não identifica Nenhum R$ 2,00
Funcionário de uma empresa fora da lista Nenhum R$ 2,00
Funcionário de uma conta-alvo Empresa +200% R$ 6,00
Comprador de uma conta-alvo Empresa +200% e função Compras +100% R$ 12,00
Funcionário de um concorrente Empresa excluída Não vê o anúncio

O caminho inverso: excluir

O mesmo cadastro aceita exclusão. O concorrente que clica no seu anúncio para espiar a oferta, a agência dele, o seu próprio time pesquisando a marca: todos podem sair da conta.

E quem usa lance automático?

Não perde o recurso. A Microsoft informa que, com estratégia automática, os ajustes passam a informar a otimização. A lista do comercial vira mais um dado que o algoritmo considera na hora de decidir quanto pagar.

A palavra genérica volta para a mesa

Com o ajuste por empresa, termos de categoria amplos, como “ERP industrial” ou “software de gestão”, voltam a fazer sentido no B2B. O lance básico fica baixo para o público geral, e o lance alto só entra quando quem pesquisa trabalha numa conta-alvo. O clique barato e o clique certo passam a conviver na mesma palavra.

No Google, esse tipo de termo costuma ser largo demais. Atrai estudante, curioso, fornecedor e concorrente, e a conta acaba cortando o lance ou negativando a palavra. Quem já brigou com CPC alto conhece o roteiro.

O Google tem uma aproximação. Nos dados demográficos detalhados, oferece setor e porte da empresa em faixas, só para campanhas de pesquisa. Ajuda, mas não chega ao nome. Você consegue mirar “indústria de grande porte”. Não consegue mirar as 300 indústrias que o seu comercial escolheu.

Google Ads, na busca Microsoft Ads, na busca
Dado de empresa disponível Setor e porte, em faixas Empresa, setor, função e senioridade
De onde vem o dado Dados demográficos detalhados do Google Perfil do LinkedIn
Lista de empresas pelo nome Não existe Até 10 mil empresas por lista
Como o dado age Restringe o público ou só observa Ajusta o lance, de -90% a +900%
Excluir concorrente pelo nome Não Sim

Bing é sobra de verba? Os números do Brasil

Segundo o Statcounter, o Bing teve 19,87% das buscas feitas em computador no Brasil em setembro de 2026. Somando todas as plataformas, celular incluído, a fatia cai para 9,63%. A presença do Bing está concentrada no computador, que é onde o comprador B2B passa o expediente.

A explicação mais provável está no computador corporativo, que costuma chegar ao funcionário com Windows e Edge, e o Edge vem com o Bing como buscador padrão. É hipótese nossa, mas ajuda a entender por que a fatia no computador é o dobro da fatia total.

E tem a outra metade da conta. Nossa aposta: a maioria dos seus concorrentes nem tem conta ativa no Microsoft Ads. Leilão com pouca gente costuma ser leilão barato.

Os limites, para o entusiasmo não passar do ponto

O recurso é bom e tem regras. Antes de prometer qualquer coisa à diretoria, vale conhecer quatro delas.

  • Só vale para quem a Microsoft identifica. Se o dado de quem pesquisa é desconhecido, nenhum ajuste é aplicado e ele paga o lance básico.
  • A lista entra à mão. Pela documentação, as empresas são escolhidas no catálogo da própria plataforma, sem importar arquivo. A planilha do comercial, ironicamente, não sobe como planilha.
  • O catálogo não tem todo mundo. A Microsoft avisa que nem todas as empresas, setores e funções estão disponíveis. Empresa pequena ou sem página no LinkedIn tende a ficar de fora.
  • Setores regulados pedem cuidado. A Microsoft restringe o uso de dados demográficos para personalizar anúncios de serviços financeiros, seguros, educação, emprego e imóveis. Quem anuncia nessas áreas precisa confirmar se a regra alcança a segmentação por perfil.

Mais um ponto para conferir na conta: a documentação, atualizada em julho, ainda fala em no máximo 1.000 empresas por campanha. O anúncio de 30 de setembro fala em listas de 10 mil. Vale ver na interface como os dois limites convivem.

O Método das Três Listas: cinco passos para testar na segunda-feira

O teste cabe numa verba pequena e responde uma pergunta clara: o clique de quem trabalha nas suas contas-alvo vira oportunidade com mais frequência que o resto?

  1. Peça três listas ao comercial. Contas-alvo, clientes atuais (para recompra e venda cruzada) e concorrentes (para excluir).
  2. Monte uma campanha de busca no Microsoft Ads com termos de categoria. Justamente os que você cortou no Google por serem largos demais, com lance básico baixo.
  3. Cadastre as contas-alvo e suba o ajuste aos poucos. Comece entre +100% e +200% e multiplique pela função ou pela senioridade de quem assina o pedido.
  4. Exclua os concorrentes. E, se fizer sentido, a sua própria empresa.
  5. Feche o ciclo no CRM e leia por conta. A integração com o HubSpot saiu no mesmo pacote, e quem usa outro CRM pode importar as conversões offline. Meça quantas contas da lista viraram oportunidade, e deixe o CPL em segundo plano.

É a mesma lógica que defendemos quando falamos de otimizar o LinkedIn por lead qualificado: o sinal que importa é o que o comercial reconhece.

O que isso significa para a sua empresa

Muda quem é dono de um ativo de mídia. A lista de contas-alvo sempre foi do comercial. Agora ela define quanto o marketing paga por um clique. Isso pede uma conversa que raramente acontece: o comercial explicando ao marketing quem ele quer, nome por nome.

No marketing digital B2B, quem decide é um comitê. O ajuste por função e senioridade deixa você pesar quem do comitê está pesquisando: o engenheiro que especifica, o comprador que cota, o diretor que aprova.

E muda a leitura de canal. O Bing deixa de ser o canal que sobra e passa a ser o lugar onde a lista de contas encontra a intenção de busca. É trabalho de tráfego pago feito com o comercial sentado na mesma mesa.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é a segmentação por perfil do LinkedIn no Microsoft Ads?

É um recurso do Microsoft Ads que usa dados do perfil do LinkedIn, como empresa, setor, função e senioridade, para ajustar lances em campanhas de busca, de audiência e de compras. A Microsoft é a única plataforma de anúncios, além do próprio LinkedIn, que oferece esse dado para segmentação.

Dá para mostrar um anúncio de busca só para funcionários de empresas específicas?

Não. Na busca, a segmentação por empresa do Microsoft Ads funciona como ajuste de lance, sem restringir o público. Quem está fora da lista continua vendo o anúncio, e quem está dentro pode receber um lance até 900% maior. Empresas também podem ser excluídas.

A segmentação por empresa do Microsoft Ads funciona no Brasil?

Sim. O Brasil aparece entre os mercados atendidos pela segmentação por perfil do LinkedIn, inclusive no filtro de senioridade lançado em junho de 2026. Como a lista de mercados muda com frequência, vale confirmar na interface da conta antes de montar a campanha.

Vale a pena anunciar no Bing para empresas B2B?

Para B2B, o Bing tem dois argumentos. Ele teve 19,87% das buscas feitas em computador no Brasil em setembro de 2026, segundo o Statcounter, e é o único buscador em que a empresa de quem pesquisa pode mudar o lance. Um teste com verba pequena e lista de contas-alvo responde a pergunta sem comprometer o orçamento.

Qual a diferença entre a segmentação B2B do Google Ads e a do Microsoft Ads?

O Google Ads oferece setor e porte da empresa em faixas, nos dados demográficos detalhados, sem permitir escolher empresas pelo nome. O Microsoft Ads usa o perfil do LinkedIn e aceita listas de até 10 mil empresas específicas, além de função e senioridade. No Microsoft Ads, esses dados ajustam o lance em vez de restringir o público.

Quantas empresas cabem na lista do Microsoft Ads?

Desde 30 de setembro de 2026, cada lista aceita até 10 mil empresas, contra mil antes. A documentação de julho ainda menciona um limite de mil empresas por campanha ou grupo de anúncios, então vale conferir na conta como os dois limites se combinam.

O recurso já estava aí antes do anúncio de setembro. O que faltava era alguém atravessar o corredor e pedir a planilha.

Toda empresa B2B sabe exatamente quem ela quer como cliente. Quase nenhuma conta isso para o leilão.

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Guilherme Boni
Guilherme Boni é CEO e fundador da Fresh Lab, agência de marketing digital de Curitiba. Publicitário formado pela PUC-PR, atua há mais de 17 anos com SEO, performance, conteúdo, web design, tecnologia e inteligência artificial, ajudando empresas a transformar presença digital em crescimento real. Escreve sobre marketing com visão estratégica, olhar crítico e foco no que gera resultado de verdade.
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