
Toda empresa B2B tem uma planilha que o marketing nunca abriu. Mora no computador do diretor comercial, tem umas 300 linhas e um nome como “contas-alvo 2026”.
Serve para o SDR saber para quem ligar. Na mídia, quando muito, vira público no LinkedIn Ads, onde cada clique custa caro.
Na busca paga, onde o comprador escreve com as próprias palavras o problema que quer resolver, essa lista quase nunca entra. E poderia. O Microsoft Ads para B2B tem um recurso que transforma a planilha do comercial em lance de busca, e pouca gente reparou.
Este texto explica o que mudou em 30 de setembro de 2026, como o recurso funciona de verdade (ele não faz o que parece), onde ele vai além do Google e o passo a passo para testar com verba pequena.
O Microsoft Ads é a única plataforma de anúncios, além do próprio LinkedIn, que usa dados do perfil do LinkedIn para segmentar: empresa, setor, função e, desde junho de 2026, senioridade. Nas campanhas de busca do Bing, esses dados funcionam como ajuste de lance. Você paga mais quando quem pesquisa trabalha numa empresa da sua lista.
A Microsoft subiu de 1.000 para 10.000 o número de empresas por lista na segmentação por perfil do LinkedIn, que vale para campanhas de busca e de audiência. No mesmo anúncio, ligou o Microsoft Ads ao HubSpot: os contatos do CRM viram público, o lead novo dispara o próximo passo e o clique é ligado a negócios, para medir pipeline e receita.
Com 10 mil, cabe um setor inteiro numa região, e não só as 300 contas da planilha.
O recurso não nasceu agora. Em junho de 2026, quando ganhou o filtro de senioridade em 10 níveis, do estagiário ao C-level, o Brasil já aparecia entre os mercados atendidos, ao lado de Argentina, Chile, Colômbia e México.
Mesmo assim, nos guias em português sobre Bing Ads que encontramos, o assunto é local, idioma e aparelho. Do filtro por empresa, ninguém fala. É o tipo de silêncio que costuma valer dinheiro para quem chega primeiro.
A segmentação por empresa no Microsoft Ads não restringe quem vê o anúncio. A documentação da Microsoft é explícita: ela funciona como ajuste de lance, de -90% a +900% sobre o lance básico. Quem está fora da lista continua vendo o anúncio pelo preço normal. Quem trabalha numa empresa da lista pode valer até dez vezes mais.
Esse detalhe muda a leitura do recurso. Na prática, ele funciona como uma régua de preço: você decide quanto vale aparecer bem para cada empresa da lista, e deixa o resto do mundo no lance de sempre.
Quando a pessoa se encaixa em mais de um critério, os ajustes se multiplicam. Empresa da lista com +200% e função Compras com +100% dão três vezes dois: um lance seis vezes maior que o básico, só para o comprador da conta que o seu comercial quer.
Num exemplo hipotético, com lance básico de R$ 2,00 para o termo “ERP industrial”:
| Quem pesquisa | Ajuste aplicado | Lance |
|---|---|---|
| Pessoa que a Microsoft não identifica | Nenhum | R$ 2,00 |
| Funcionário de uma empresa fora da lista | Nenhum | R$ 2,00 |
| Funcionário de uma conta-alvo | Empresa +200% | R$ 6,00 |
| Comprador de uma conta-alvo | Empresa +200% e função Compras +100% | R$ 12,00 |
| Funcionário de um concorrente | Empresa excluída | Não vê o anúncio |
O mesmo cadastro aceita exclusão. O concorrente que clica no seu anúncio para espiar a oferta, a agência dele, o seu próprio time pesquisando a marca: todos podem sair da conta.
Não perde o recurso. A Microsoft informa que, com estratégia automática, os ajustes passam a informar a otimização. A lista do comercial vira mais um dado que o algoritmo considera na hora de decidir quanto pagar.
Com o ajuste por empresa, termos de categoria amplos, como “ERP industrial” ou “software de gestão”, voltam a fazer sentido no B2B. O lance básico fica baixo para o público geral, e o lance alto só entra quando quem pesquisa trabalha numa conta-alvo. O clique barato e o clique certo passam a conviver na mesma palavra.
No Google, esse tipo de termo costuma ser largo demais. Atrai estudante, curioso, fornecedor e concorrente, e a conta acaba cortando o lance ou negativando a palavra. Quem já brigou com CPC alto conhece o roteiro.
O Google tem uma aproximação. Nos dados demográficos detalhados, oferece setor e porte da empresa em faixas, só para campanhas de pesquisa. Ajuda, mas não chega ao nome. Você consegue mirar “indústria de grande porte”. Não consegue mirar as 300 indústrias que o seu comercial escolheu.
| Google Ads, na busca | Microsoft Ads, na busca | |
|---|---|---|
| Dado de empresa disponível | Setor e porte, em faixas | Empresa, setor, função e senioridade |
| De onde vem o dado | Dados demográficos detalhados do Google | Perfil do LinkedIn |
| Lista de empresas pelo nome | Não existe | Até 10 mil empresas por lista |
| Como o dado age | Restringe o público ou só observa | Ajusta o lance, de -90% a +900% |
| Excluir concorrente pelo nome | Não | Sim |
Segundo o Statcounter, o Bing teve 19,87% das buscas feitas em computador no Brasil em setembro de 2026. Somando todas as plataformas, celular incluído, a fatia cai para 9,63%. A presença do Bing está concentrada no computador, que é onde o comprador B2B passa o expediente.
A explicação mais provável está no computador corporativo, que costuma chegar ao funcionário com Windows e Edge, e o Edge vem com o Bing como buscador padrão. É hipótese nossa, mas ajuda a entender por que a fatia no computador é o dobro da fatia total.
E tem a outra metade da conta. Nossa aposta: a maioria dos seus concorrentes nem tem conta ativa no Microsoft Ads. Leilão com pouca gente costuma ser leilão barato.
O recurso é bom e tem regras. Antes de prometer qualquer coisa à diretoria, vale conhecer quatro delas.
Mais um ponto para conferir na conta: a documentação, atualizada em julho, ainda fala em no máximo 1.000 empresas por campanha. O anúncio de 30 de setembro fala em listas de 10 mil. Vale ver na interface como os dois limites convivem.
O teste cabe numa verba pequena e responde uma pergunta clara: o clique de quem trabalha nas suas contas-alvo vira oportunidade com mais frequência que o resto?
É a mesma lógica que defendemos quando falamos de otimizar o LinkedIn por lead qualificado: o sinal que importa é o que o comercial reconhece.
Muda quem é dono de um ativo de mídia. A lista de contas-alvo sempre foi do comercial. Agora ela define quanto o marketing paga por um clique. Isso pede uma conversa que raramente acontece: o comercial explicando ao marketing quem ele quer, nome por nome.
No marketing digital B2B, quem decide é um comitê. O ajuste por função e senioridade deixa você pesar quem do comitê está pesquisando: o engenheiro que especifica, o comprador que cota, o diretor que aprova.
E muda a leitura de canal. O Bing deixa de ser o canal que sobra e passa a ser o lugar onde a lista de contas encontra a intenção de busca. É trabalho de tráfego pago feito com o comercial sentado na mesma mesa.
É um recurso do Microsoft Ads que usa dados do perfil do LinkedIn, como empresa, setor, função e senioridade, para ajustar lances em campanhas de busca, de audiência e de compras. A Microsoft é a única plataforma de anúncios, além do próprio LinkedIn, que oferece esse dado para segmentação.
Não. Na busca, a segmentação por empresa do Microsoft Ads funciona como ajuste de lance, sem restringir o público. Quem está fora da lista continua vendo o anúncio, e quem está dentro pode receber um lance até 900% maior. Empresas também podem ser excluídas.
Sim. O Brasil aparece entre os mercados atendidos pela segmentação por perfil do LinkedIn, inclusive no filtro de senioridade lançado em junho de 2026. Como a lista de mercados muda com frequência, vale confirmar na interface da conta antes de montar a campanha.
Para B2B, o Bing tem dois argumentos. Ele teve 19,87% das buscas feitas em computador no Brasil em setembro de 2026, segundo o Statcounter, e é o único buscador em que a empresa de quem pesquisa pode mudar o lance. Um teste com verba pequena e lista de contas-alvo responde a pergunta sem comprometer o orçamento.
O Google Ads oferece setor e porte da empresa em faixas, nos dados demográficos detalhados, sem permitir escolher empresas pelo nome. O Microsoft Ads usa o perfil do LinkedIn e aceita listas de até 10 mil empresas específicas, além de função e senioridade. No Microsoft Ads, esses dados ajustam o lance em vez de restringir o público.
Desde 30 de setembro de 2026, cada lista aceita até 10 mil empresas, contra mil antes. A documentação de julho ainda menciona um limite de mil empresas por campanha ou grupo de anúncios, então vale conferir na conta como os dois limites se combinam.
O recurso já estava aí antes do anúncio de setembro. O que faltava era alguém atravessar o corredor e pedir a planilha.
Toda empresa B2B sabe exatamente quem ela quer como cliente. Quase nenhuma conta isso para o leilão.
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