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Busca visual no B2B: o comprador que pesquisa pela câmera

Guilherme Boni Escrito por Guilherme Boni
  • Publicado 30 de set, 2026
  • 11 min de leitura
Busca Visual

Um técnico de manutenção está parado na frente de uma bomba que vazou. A plaqueta está apagada, o manual sumiu faz anos e ninguém na fábrica sabe o nome daquela vedação.

Ele faz o que qualquer pessoa faria: tira uma foto e pergunta ao Google.

Esse gesto tem nome, busca visual, e até a semana passada ele não existia para o seu time de marketing. Não aparecia no Search Console, não entrava no planejamento de palavras-chave, não virava relatório. O comprador estava lá. O dado, não.

Em 24 de setembro de 2026, isso mudou. E a mudança diz mais sobre o comprador B2B técnico do que sobre o Google.

O tráfego que o Google nunca contou

Desde 24 de setembro de 2026, o Search Console separa a busca web em dois tipos: texto e multimodal. O multimodal reúne as buscas que começam com uma imagem, pelo Google Lens, pelo Circle to Search, por upload de foto ou pelo “Pesquisar imagem” do Chrome. É um tráfego que já existia e nunca foi contado.

Na documentação do relatório de desempenho, o Google define o novo tipo como o tráfego de quem pesquisa usando imagens, “como com a câmera do celular”. O detalhe que importa veio de John Mueller, do Google, que confirmou que esses dados não estavam nas contagens antes.

Ninguém inventou um tráfego novo. Um tráfego antigo acabou de ganhar CPF.

O tamanho do que ficou de fora

Não é nicho. Em outubro de 2024, o Google dizia que o Lens era usado em quase 20 bilhões de buscas visuais por mês, com os usuários de 18 a 24 anos entre os que mais usam. Em dezembro de 2025, o número passou de 25 bilhões por mês, e 1 em cada 5 buscas tem intenção comercial.

O Circle to Search, que deixa circular qualquer coisa na tela do Android e pesquisar, já estava em mais de 300 milhões de aparelhos em julho de 2025. Quando o Google julga útil, a resposta a esse gesto já vem como AI Overview.

Pense no técnico de 22 anos que acabou de entrar na sua cliente. Ele não vai procurar o catálogo impresso na gaveta do almoxarifado.

Busca por texto Busca visual
O que o comprador sabe O nome, o código ou a especificação O formato, a cor, a medida aproximada
O que o Search Console mostra Consulta, página, cliques e posição Página, país, dispositivo e data, sem a consulta
Onde aparece no planejamento Na pesquisa de palavras-chave Em lugar nenhum, até agora
O que decide a página escolhida O texto e a relevância da página A imagem e o texto em volta dela

Por que busca visual é assunto de B2B, e não de moda

A busca visual resolve, no B2B técnico, o problema do comprador que não sabe o nome do que precisa. Peça de reposição, componente de máquina, conexão, insumo sem rótulo. Ele conhece o formato e a função, mas não o código. Para esse comprador, a foto substitui a palavra-chave que ele nunca teve.

A leitura óbvia é varejo. Alguém fotografa um tênis na rua e quer saber onde comprar. É verdade, e é a parte menos interessante.

No chão de fábrica, identificar a peça certa é um problema antigo e caro. Numa pesquisa da OnePoll com 250 reparadores profissionais do Reino Unido, publicada em maio de 2023, mais da metade disse que precisa checar, pesquisar ou pedir ajuda para identificar a peça certa na maior parte das vezes. Um quarto disse que erros como receber a peça errada aparecem em 20% dos pedidos.

Existe um mercado inteiro de software vendendo identificação de peça por foto para fabricantes, como Partium e nyris. Empresas pagam para ter, dentro do próprio catálogo, o que o Google já faz de graça na busca aberta.

Quem fotografa em vez de digitar

  • O técnico de manutenção, com a máquina parada e a plaqueta ilegível.
  • O comprador de reposição, que recebeu da produção uma foto no WhatsApp com a pergunta “compra mais disso aqui”.
  • O engenheiro de campo, diante de um equipamento de outro fornecedor que ele precisa substituir por equivalente.
  • O revendedor, tentando descobrir quem fabrica o item que o cliente dele trouxe na mão.

Já mostramos que, no marketing digital para indústria, a busca é pela especificação, e não pelo benefício. A busca visual é o passo anterior: é o que o comprador faz quando ainda nem sabe a especificação. Para indústria e distribuição, isso muda a conta. Uma parte da demanda mais urgente do seu mercado nunca passou por uma palavra-chave.

O que o relatório multimodal mostra, e o que ele esconde

O filtro multimodal do Search Console mostra quais páginas do site receberam impressões e cliques de buscas feitas com imagem, separadas por país, dispositivo e data. Ele não mostra a consulta, porque a consulta é uma foto. A imagem que o comprador enviou fica de fora do relatório.

Quem tratar isso como limitação vai perder a melhor parte. A lista de páginas que recebem tráfego pela câmera é um mapa do que o seu mercado está tentando identificar e não sabe nomear. Nenhuma pesquisa de palavra-chave chega nisso, porque essa demanda não tem palavra.

O mesmo filtro aparece no relatório de IA generativa do Search Console. Parte dessas fotos já termina numa resposta de IA, com páginas citadas. Estar entre elas é o mesmo jogo de GEO que vale para a busca por texto, só que a pergunta chega como imagem.

A foto do fabricante que todo mundo usa

Tem um segundo efeito. Se o seu site usa a mesma foto de catálogo do fabricante que todos os outros distribuidores usam, a sua página disputa a mesma correspondência visual com todos eles. O que desempata é o que está em volta da foto.

O próprio Google diz, na documentação de SEO de imagens, que extrai o assunto da imagem do conteúdo da página, incluindo legendas e títulos, e pede que a imagem fique perto do texto relevante. Foto boa com página pobre continua sendo página pobre.

A janela

O filtro ainda não chegou à API. A documentação da API do Search Console lista web, imagem, vídeo, notícias e Discover. Multimodal, não.

Tradução: o dashboard do seu time e qualquer ferramenta que puxa dado por API não vão mostrar esse tráfego tão cedo. Quem quiser enxergar precisa abrir o Search Console e exportar na mão. É exatamente por isso que quase ninguém vai olhar nos próximos meses.

O Método da Peça na Mão: cinco passos para a segunda-feira

O Método da Peça na Mão transforma o filtro multimodal em rotina de SEO. São cinco passos, do diagnóstico à medição, pensados para empresas com catálogo técnico que vendem para quem nem sempre sabe o nome do que compra. Nenhum deles exige ferramenta paga.

  1. Exporte o recorte multimodal. No relatório de Desempenho, escolha o tipo multimodal dentro de Web e exporte as páginas. Lista vazia também é resposta: o seu catálogo é invisível para a câmera.
  2. Leia a lista como pesquisa de mercado. Cada página ali é um produto que alguém tentou identificar por foto. Leve para o comercial e pergunte se são os mesmos itens que chegam como “vocês têm isso aqui?” no WhatsApp.
  3. Fotografe o que o comprador tem na mão. Troque a foto do fabricante por foto sua. Vários ângulos, a peça em uso, a plaqueta visível, uma referência de escala. A foto que o comprador tira nunca é a de estúdio.
  4. Escreva ao lado da foto o que o comprador não sabe. Código, aplicação, compatibilidade, medida e equivalências. É esse texto que transforma “achei uma foto parecida” em “achei o fornecedor”.
  5. Meça de novo em 30 dias. Exporte o mesmo recorte e compare as páginas tratadas com as outras. Enquanto a API não trouxer o dado, a planilha mensal é o único histórico que você vai ter.

Os passos 3 e 4 são trabalho de SEO, só que para um comprador que nunca digitou nada.

O que isso significa para a sua empresa

O peso da busca visual depende do que a empresa vende. Quem tem produto físico com código técnico tem mais a ganhar, porque é aí que o comprador não sabe o nome. Quem vende serviço deve encontrar o filtro quase vazio, e isso também é uma informação útil.

Tipo de empresa O que olhar no filtro Primeira ação
Indústria com catálogo técnico Quais linhas de produto recebem busca por imagem Fotos próprias e ficha técnica em texto nas páginas da lista
Distribuidor e revenda Se as páginas com foto do fabricante aparecem Diferenciar pelo texto em volta da imagem: estoque, aplicação, equivalência
Manutenção e serviço técnico Páginas de equipamentos que a empresa atende Fotos de equipamentos reais com modelo e marca visíveis
Serviço B2B sem produto físico Provavelmente nada, e tudo bem Manter o foco na busca por texto e nas respostas de IA

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é o filtro multimodal do Search Console?

É um tipo de pesquisa que o Google adicionou ao relatório de desempenho do Search Console em 24 de setembro de 2026. Ele separa o tráfego de buscas feitas com imagem, como Google Lens, Circle to Search, upload de foto e “Pesquisar imagem” do Chrome, do tráfego de buscas digitadas. Segundo o Google, esses dados não eram contados antes.

Por que o relatório de busca visual não mostra as consultas?

Porque a busca visual começa com uma imagem, e não com texto. O Google informa que a dimensão de consultas não está disponível para esse tipo de tráfego. O relatório mostra páginas, países, dispositivos e datas, e a lista de páginas é o que revela o que as pessoas tentaram identificar por foto.

Busca visual serve para empresas B2B?

Serve principalmente para empresas B2B com produto físico e catálogo técnico, como indústrias, distribuidores e empresas de manutenção. Nesses mercados, o comprador muitas vezes não sabe o nome ou o código da peça e usa a foto no lugar da palavra-chave. Para empresas de serviço sem produto físico, o impacto tende a ser pequeno.

Como otimizar imagens de produto para o Google Lens?

Use fotos próprias em vez da imagem padrão do fabricante, com vários ângulos, a peça em uso e marcações visíveis. Coloque a imagem perto do texto que descreve o produto, com código, aplicação, compatibilidade e medidas. O Google extrai o assunto da imagem do conteúdo da página, então a foto sozinha não basta.

Dá para puxar os dados de busca multimodal pela API do Search Console?

Ainda não. A documentação da API do Search Console lista os tipos web, imagem, vídeo, notícias, Google News e Discover, sem o multimodal. Por enquanto, o caminho é abrir o relatório no Search Console, filtrar pelo tipo multimodal e exportar os dados manualmente, de preferência todo mês.

Busca por imagem no Google é a mesma coisa que a aba Imagens?

Não. A aba Imagens é quando alguém digita um texto e vê resultados em imagem, e ela tem relatório próprio no Search Console há anos. A busca multimodal é o contrário: a pessoa envia uma imagem e recebe páginas da web como resultado. É esse segundo tráfego que ganhou filtro em setembro de 2026.

Durante anos, o SEO B2B brigou por palavras que o cliente sabia digitar. Brigou bem, e continua valendo. Mas deixou de fora justamente quem tinha mais pressa.

O SEO B2B passou anos otimizando para quem sabe o nome do que compra. O comprador mais urgente do seu mercado nunca soube. Ele tem uma foto, e agora dá para ver para onde ela vai.

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Guilherme Boni
Guilherme Boni é CEO e fundador da Fresh Lab, agência de marketing digital de Curitiba. Publicitário formado pela PUC-PR, atua há mais de 17 anos com SEO, performance, conteúdo, web design, tecnologia e inteligência artificial, ajudando empresas a transformar presença digital em crescimento real. Escreve sobre marketing com visão estratégica, olhar crítico e foco no que gera resultado de verdade.
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